Thursday, November 19, 2009

Produto Social Bruto




O bom trabalho que o atual governo estadual vem desenvolvendo está estampado nos jornais locais, com base em dados do IBGE e consolidados em 2007. Ou seja, pré-crise. Naturalmente, algumas alterações ocorreram de lá para cá, especialmente em Estados muito dependentes da economia global como o nosso. Mas as crises podem ser aceitas como descontinuidades e na tendência o Espírito Santo tem sido muito bem administrado em seu sentido econômico. Gás, petróleo, mercado imobiliário e atividades portuárias e logísticas têm se destacado positivamente. Há que se reconhecer que o Governo Estadual criou um ambiente favorável a essa expansão.
Tanto o Produto Interno Bruto quanto a renda per capita melhoraram bastante. É preciso observar, entretanto, que até aquele momento o sistema econômico global, capitaneado pelo consumo norte-americano, estava aquecido e promovendo o crescimento do comércio global. Agora, muito menos. Até então, houve uma forte expansão das economias em desenvolvimento, principalmente aquelas financeira e institucionalmente organizadas, como o Brasil. A Índia e a China também aproveitaram esse momento e esta última deverá ser a segunda maior economia do mundo no início do próximo ano, ultrapassando o Japão. Para se ter uma idéia as reservas cambiais da China hoje equivalem a um PIB brasileiro. A saúde financeira de ambas fortaleceu a musculatura da economia capixaba. E são exatamente elas que fazem com que o Brasil tenha melhores condições que outros países nesse momento em que a crise se reduz.
Fico feliz em ver que o Instituto Jones dos Santos Neves volta às suas nobres funções de pesquisa, informação e proposições. Tive a honra de ser seu presidente alguns anos atrás e sei de sua história e importância para a economia capixaba. Eu ficaria mais feliz ainda se o IJSN pudesse desenvolver algo como um PSB, Produto Social Bruto, do Espírito Santo, criando séries históricas de nosso desempenho social. Comparar o Estado com si mesmo em relação ao número de postos de saúde por habitante, saneamento, segurança, escolaridade geral, lazer, mobilidade urbana, preservação ambiental, fluxos turísticos, inserção social e outros indicadores relevantes. Sempre na proporcionalidade de seu crescimento do PIB. Pois muitas vezes este crescimento é resultante de forças exógenas, do interesse e benefício dos investidores, e o crescimento social, de forças endógenas, do interesse e benefício das pessoas que aqui moram. Em que proporção o PSB cresce em relação ao PIB? Sei que já existe a metodologia do IDH-ES, mas esse outro seria uma comparação do investimento social com o investimento econômico.
Como disse Carlyle, certa vez, a economia é uma ciência triste. E é triste mesmo ver que, segundo os dados do IBGE, apenas oito Estados brasileiros concentram cerca de 80% da riqueza do país. Isso, desde 1995, quando o país já havia retomado sua liberdade democrática. Se olharmos para o nosso Estado isso também não mudou. Se estamos ficando mais ricos, por que ainda haver tanta desigualdade?

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